Blog do Jetro

quinta-feira, 22 de maio de 2014

o que houve com a água?

Tenho acompanhado nesses últimos meses muitas opiniões de técnicos e de abelhudos e oportunistas de plantão sobre a situação da água em SP.

Tenho ouvido e assistido nos noticiários muitas opiniões corretas e outras evasivas.

Li recentemente a Revista ÉPOCA edição verde do mês de março de 2014, que trouxe muitas informações pertinentes, como:

NORTE
mais de 2.400 famílias foram afetadas pela cheia recorde no Rio Madeira, em Rondônia, logo acima das barragens para duas hidrelétricas.

NORDESTE
mais de 1.400 municípios entraram em estado de emergência por causa da seca em 2013.

SUDESTE
9 milhões de pessoas estão sob ameaça de racionamento de água por causa dos baixos níveis no sistema de represas que abastece a capital e outras cidades de SP.

SUL
217 metros acima do nível do mar é a altura da lâmina d'água em Itaipu. O normal é entre 218 e 220 metros.

outros números sobre a água:

RETIRADA
quantos pontos de coleta e análise de água no país deram resultado "ruim" ou "péssimo"?

áreas rurais - 7%
área urbana - 44%

motivo principal: despejo de esgoto não tratado (em SP, quem é o responsável pelo tratamento do esgoto é a sabesp...), as cidades não sabem cuidar dos seus rios, lagos e represas.

DISTRIBUIÇÃO
da água retirada dos mananciais, 39% é perdida ou roubada!

CONSUMO
Faltam no Brasil normas de construção que façam casas e edifícios economizar água, campanhas educativas regulares e tarifas que minimizem o desperdício.

Consumo médio no Brasil por pessoa para beber, higiene pessoal e do lar (em litros/dia) é maior que o necessário.

Estados Unidos   -   341
Brasil                   -  159
Alemanha            -  126

considerado suficiente pela ONU - 110 litros

AGRICULTURA
A parcela da água retirada dos mananciais para irrigação no Brasil cresceu.

2006   -   47%
2010   -   51%

Sabe-se que o Brasil é o país que poderá abastecer de alimentos a população mundial. Pensam em transferir para o Brasil a responsabilidade de plantar para o mundo...

38% da população urbana não é servida por rede de esgoto.

52% da população total não é servida por rede de esgoto.

62% do esgoto coletado não é tratado antes de chegar ao mar ou aos mananciais.

O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê que 41% do investimento será feito por Estados, municípios e empresas privadas.

Meta: levar serviço de saneamento e água a quase toda a população até 2030.

Investimento: R$ 508 bilhões em 20 anos. O governo federal investiria ao menos R$ 13,5 bilhões/ano a partir de 2014. 

Se tudo isso acontecer, o resultado seria:
22% menos internações por infecções gastrintestinais
15% menos mortes por infecções gastrintestinais
23% menos dias de afastamento do trabalho

Pois bem, todas as anotações em vermelho são da minha autoria. Quero chamar a atenção para um fator de extrema necessidade. A Lei que rege a água no Brasil, chama a atenção para a quantidade de água disponível numa determinada Bacia Hidrográfica. Se esta Bacia tem capacidade para atender a região que ela está inserida. Se tem água suficiente para abastecer as empresas, as pessoas, a agricultura, o lazer e tudo o que usa água...

Outro fator importante é a Educação Ambiental. Sem educação não há como fazer a população participar ativamente. As pessoas precisam entender a função da água para a vida. A importância dos rios, lagos e mananciais em geral, preferencialmente, preservados.

Portanto, na minha modesta opinião, o problema da água tem nome e endereço certo. O responsável pelo abastecimento, também deve se responsabilizar pela manutenção e preservação dos rios, lagos e represas. 

Não dá pra prometer água para 10 milhões de pessoas, se um determinado sistema de abastecimento poderá suprir a necessidade de apenas 5 milhões...

   
   

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

A natureza chora

PLURALE EM REVISTA, EDIÇÃO 40 / A natureza chora

Por Jetro Menezes(*), Colunista Plurale
Quando decidi escrever este artigo, fiz uma breve pesquisa na Internet e encontrei mais de 835 mil resultados para a frase: “as chuvas castigam”. Castiga quem, cara pálida? Vivemos numa cidade onde um chuvisco já é motivo de enchente, inundações, problemas na rede elétrica, portanto, nos semáforos e gerando trânsito intenso.
imprensa “noticia” todos os anos, a cada período chuvoso (normalmente, no verão), que as chuvas “castigam” os moradores de uma determinada região.” E olha que neste ano nem tivemos tanta chuva assim em algumas cidades brasileiras.  
Esta informação não é verdadeira. As chuvas não castigam ninguém. As pessoas ocupam asáreas de risco nas cidades, os topos de morro, as áreas de várzea, tudo sem o menor critério, rigor e fiscalização dos órgãos competentes. Depois de invadidas, já se torna mais difícil tirar (desfazer, nome técnico) moradias irregulares nesses locais de risco. As pessoas, na maioria das vezes, são motivadas por um “líder” com pretensão eleitoreira. As promessas são do tipo: “A gente ocupa e resiste! Depois eles (o governo) têm que levar água e luz. Depois asfalta a nossa rua e pronto, já somos mais um bairro. Tem que ocupar e resistir.”
Honestamente, não sou contra. Desde que essas ocupações se deem em locais adequados. A atitude mais comum para com as famílias é levá-las (como  boiadas) a ocupar áreas de risco de vida. Então, assim que cair a primeira chuva, as famílias e as suas casas começam a ter as experiências de risco e perda de bens. Nessa hora, onde está o suposto líder que ofereceu o local para aquelas pessoas? Já vi isso com os meus próprios olhos.  
Mas vamos tocando o texto porque pretendo falar sobre o teor deste artigo: a natureza chora. Equando ela chora (ou chove), pra onde vai toda a água? As ruas estão totalmente cimentadas! Dificilmente vamos encontrar ruas com calçadas ou ruas permeáveis. A maioria das cidades está optando, obsessivamente, por asfalto. Tirando os velhos e fortes paralelepípedos das ruas, como se mantê-los representasse um atraso. Os rios, lagos e córregos estão cobertos! Estamos vivendo um momento de seca nos reservatórios jamais visto em São Paulo. Por outro lado, no norte do país, famílias estão perdendo suas casas devido às inundações nos rios e reservatórios. Temos um bom exemplo na cidade de Osasco, onde a Secretaria de Meio Ambiente tem o Programa Municipal de Preservação e Conservação das Nascentes. Lá, quando uma nascente é encontrada, são tomadas iniciativas para ser preservada rapidamente. Esses bons exemplos podem ser usados pelo Brasil afora. Não são caros. Basta cercar a nascente, colocar uma placa e manter acesa a chama da esperança.
Mas vivemos num país onde a mentalidade de quem administra o País, os estados e municípios está atrasada demais. O pensamento de quem governa está mais para as questões econômicas e sociais. O aspecto ambiental se traduz ainda como fonte infinita de uso e riqueza, assim como um tema para ser acrescido nos discursos eleitorais.
Enquanto isso, a natureza vai continuar chorando. Seja com chuva ou mesmo com aquela plantinha que nasce entre os cimentos. Mas vamos pedir a Deus que cuide daqueles que habitam em áreas de risco ou em áreas de inundações e enchentes. E a natureza chora as dores de parto por haver governantes que sequer têm os cuidados básicos com as nossas riquezas naturais, como a água, o assunto “da moda”. Desviar o curso de rios ou mesmo enterrá-los é uma agressão e, por consequência, estamos pagando caro nas grandes cidadesurbanizadas.
(*) Jetro Menezes é Colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre Sustentabilidade. É gestor e auditor ambiental, especialista em Saneamento Ambiental. Respnsável pela Jetro Ambiental Consultoria (www.jetroambiental.eco.br). Foi coordenador do Programa de ColetaSeletiva da Prefeitura de São Paulo, ex-diretor de Meio Ambiente da Prefeitura de Franco da Rocha e atualmente é chefe de gabinete da Secretaria de Ambiente de Mariporã.