Blog do Jetro

quinta-feira, 6 de março de 2014

DESABAFO SOBRE A MORTE DA MINHA IRMÃ


Minha irmã começou um tratamento para um linfoma de Burkit em maio/junho de 2013 e veio a óbito em 07 de fevereiro de 2014. (há um mês.).
Tive a oportunidade de acompanhar de perto todo o processo. Muitos eventos foram acontecendo durante esse tempo de dez meses de tratamento.
Ouvi o primeiro hematologista falar como seria a quimioterapia. Os efeitos na saúde, os enjoos, as quedas de cabelos, o emagrecimento, entre outros, como algumas infecções que foram surgindo a partir das primeiras quimios. Sobre a queda de cabelo, também ajudei a minha irmã a cortá-lo porque estava caindo muito.
Em algumas ocasiões, a Simônica (minha irmã) falava que estava com medo e chorava no meu ombro. Aquilo me deixava assustado, com medo, mas tentava mostrar que ela seria capaz de superar essa fase. Falava pra ela: vamos vencer o mal com o bem querida. Essa doença não é pra morte é para a vida.
Durante o tratamento sempre perguntávamos para os médicos: Doutor como está a Simoni, ela vai suportar o tratamento, tá indo tudo bem e tals...e eles sempre dizendo que estava bem. Os exames estão bem.
Até que a Si passou a ter algumas alterações, nas pernas, na fala, nos braços e emagrecia demais...
Perguntávamos pros médicos: Doutor a Simoni tá bem. Ela vai voltar a movimentar as pernas? Esses sintomas são normais? É consequência das quimios? E Ele ou eles respondiam: Assim que ela recuperar a massa muscular tudo volta ao normal.
Beleza, vamos indo...
A minha família perguntava pra mim como estavam as coisas no hospital e eu falava o que os médicos me passavam...
E assim foi até janeiro de 2014, até que chamaram a família para conversar. Opa! Aí eu fiquei assustado. Chamaram a família? Por que? Pra que?
Aí nos levaram para conversar com a equipe dos “Cuidados Paliativos”...
Foi uma reunião tensa. Fiquei irritado com a situação. Porque pra mim, cuidados paliativos, é um procedimento para dar um conforto enquanto o paciente estiver vivo...pra morrer sem dor...(inclusive, falei isso na reunião!).
A partir desse momento, passei a aumentar a minha esperança na vida da Si...
Orava todos os dias pela manhã, a tarde, no carro, no almoço, na cama antes de dormir, no banheiro...onde lembrava orava. (conversava com Deus).
Perdi a esperança nos médicos, na medicina e passei a crer no sobrenatural...

SOBRE DEUS – A FÉ – A ESPERANÇA – O MILAGRE
Deixei de ser romântico na Fé! Minha relação com Deus está mais madura. Deixei de ser menino na fé. Deixei de esperar milagres. Creio em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo...mas, acredito que Deus faz o que quer e quando quer. Não será a minha oração que vai mudar o rumo da história. Mesmo assim, acredito em Deus e oro. Escolhi ou fui escolhido por Ele para ser um cara que acredita N’Ele. E é assim que continuará a ser daqui em diante. Não é porque houve duas mortes na minha vida, minha mãe em 1997 e minha irmã em fevereiro de 2014, que vou deixar de ter Fé em Deus. Crer em Deus. Esperar em Deus. Buscar em Deus e Entregar pra Deus...Isso é Fé...ou tenho ou não a tenho.
Perdi a mãe e a irmã, mas não perdemos a batalha. Vou guardá-las eternamente em meu coração. Sinto a maior saudade do mundo. Sinto falta da voz, do cheiro, do toque...Tudo isso até dói na alma e no coração. Mas, vou tocar a minha vida e aguardar que o tempo de Deus me faça acalmar o coração e de todos os meus familiares que sofrem com essa situação.
Descanse em paz Simônica, descanse em paz mãe!
Vou amar vocês pra sempre.

Beijos do seu irmão que te ama muito.