Blog do Jetro

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Reciclagem nas cidades paulistas engatinha...

Dos 645 municípios do estado de São Paulo, apenas 28% disponibiliza o serviço de coleta seletivaLUCIANO MOURA/AGÊNCIA BOM DIA
Agência BOM DIANão basta apenas a boa vontade da população em separar o lixoNão basta apenas a boa vontade da população em separar o lixo

O princípio básico dos “três erres” reduzir, reutilizar e reciclar na hora de consumir e dar um destino ao lixo volta à tona neste mês, em que se comemora na quarta-feira o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Apesar da popularização da palavra sustentabilidade, o estado de São Paulo não tem muito do que comemorar quando o assunto é reciclagem. Das 645 cidades paulistas, apenas 184 disponibilizam o serviço de coleta seletiva. Ou seja, 28,5% dos municípios.
Entre eles: Rio Preto, Bauru, Jundiaí, Sorocaba e cidades do ABCD (Santo André, São Bernardo dos Campos, São Caetano e Diadema). Os dados são da pesquisa Ciclosoft 2012 do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), das prefeituras e Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Mas o problema não para por aí. Das cidades, “privilegiadas” com este serviço, na maioria a coleta não é feita em todos os bairros. Isso quer dizer que não basta a boa vontade da população em separar o lixo, as prefeituras não investem no serviço.
Separação/ Em Diadema, os moradores enfrentam o mesmo dilema. Mesmo com duas cooperativas, apenas 2% da população é atendida pelo programa de coleta seletiva. Isso representa 113 toneladas mensalmente. Em Sorocaba, 15% recebem a coleta seletiva na porta de casa. Em Rio Preto, apenas 38%. 
Já Bauru consegue atender 86% da população,  mas apenas 10% dela separa os materiais. São recolhidos na cidade em média 220 toneladas mensais,  repassadas para a cooperativa, que não suporta nem a metade desta quantidade.
Além disso, cerca de 2% do total é automaticamente descartado no aterro por estar sujo ou misturado a material orgânico.
Exemplo/ Em Santo André o serviço de coleta seletiva é disponibilizados para todos os moradores. A cidade produz em média 400 toneladas de lixo reciclável por mês e possui 200 postos de entrega voluntária do material.
Já São Bernardo implantará a partir de quarta-feira o projeto piloto da coleta seletiva porta a porta, no bairro Rudge Ramos, como teste para expandir a empreitada a outros bairros.

O município recolhe  atualmente aproximadamente 63 toneladas de lixo reciclável todos os meses. COM FÁBIO SALES
entrevista Luiz Gustavo Gallo Vilela - geólogo, auditor ambiental e secretário do Meio Ambiente 
‘Devemos  investir no reuso e reciclagem do lixo, pois gera empregos e renda’

BOM DIA: De uma tonelada de lixo recolhido, qual a quantidade ideal que deveria ser reciclada?
Luiz Gustavo Gallo Vilela: Os índices de materiais recicláveis contidos no lixo doméstico variam de acordo com o poder aquisitivo da família ou pessoa. Quanto maior o poder aquisitivo, maior a porcentagem de recicláveis gerados. Podemos dizer que, em média, 45 a 50% do lixo são de materiais recicláveis. O ideal seria reciclar toda esta porcentagem.

BOM DIA: As cidades  brasileiras investem adequadamente no serviço de coleta seletiva?
Luiz Gustavo Gallo Vilela: Infelizmente a coleta seletiva não é prioridade para a maioria dos prefeitos brasileiros. O estado de São Paulo tem posição de destaque no país principalmente após a instituição do Programa "Município Verde  Azul" pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Ações simples, porém corajosas e criativas, como o projeto Ecotudo de Votuporanga.

BOM DIA: A população também tem de fazer a sua parte? Falta campanhas de incentivo e orientação à coleta seletiva?
Luiz Gustavo Gallo Vilela: O papel mais importante de todo o ciclo da coleta seletiva acontece dentro das casas e empresas da cidade. Se percebermos, ao nosso redor sempre tem alguma orientação e dicas para a seleção do lixo, seja nos meios de comunicação ou cartazes e lixeiras  seletivas espalhadas pela cidade. Quanto mais campanhas melhor, mas acho que o que falta é educação e ação das pessoas e empresários para colocar em prática tudo o que já sabem.

BOM DIA: Antes de se preocupar com o que fazer com tanto lixo, não é melhor diminuir também sua quantidade?
Luiz Gustavo Gallo Vilela: O ideal é a sequência: não geração, redução, reúso e reciclagem.  Devemos  investir no reúso e reciclagem, pois gera empregos e renda.

MAIS
Contrato milionário 
O contrato entre a Prefeitura de São Bernardo  e a SBC Valorização de Resíduos S.A. remete ao valor de R$ 650 milhões em investimentos em 30 anos, o que já engloba a implantação da Usina do Lixo– prevista para 2015.   Outra meta  é aumentar de 200 para 600 PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), instalar mais 26 Ecopontos e construir a Central de Triagem.

Regionalização
A concentração dos programas municipais de coleta seletiva permanece nas regiões Sudeste e Sul do País. Do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, 86% está situado nessas regiões.

766 cidades brasileiras têm  coleta seletiva.
Comparação
O custo médio da coleta seletiva por tonelada nas cidades brasileiras onde tem programas de coletiva seletiva  é  R$ 424.  O custo da coleta regular de lixo é R$ 95. Ou seja, o custo da coleta seletiva ainda está 4,5 vezes maior que o custo da coleta convencional. Os dados são da pesquisa da Cempre realizada no ano passado.