Blog do Jetro

quarta-feira, 3 de abril de 2013

PLURALE EM REVISTA, EDIÇÃO 34, ESPECIAL ÁGUA/ Uma relação de respeito com a água



Por Jetro Menezes

Quando sentei para escrever sobre este tema, a água, fiquei pensando sobre o que abordar. Os dados mais significativos, os números e tudo o mais que caracteriza um artigo científico, como resultados mais quantitativos e menos qualitativos. Então resolvi trocar um texto acadêmico por um artigo sobre a nossa relação com a água que usamos todos os dias. Em vez de olhar para fora de casa, minha opção foi olhar, digamos, do registro de água para dentro.
Como tem sido o meu consumo de água? Como me relaciono com ela? O que faço quando vejo um vazamento na rua ou na calçada? De onde vem a água que uso nas minhas atividades? Será que é só abrir a torneira que a água aparece? Será que um dia a água pode acabar?
O Brasil tem a maior cobertura florestal do Planeta, o que favorece a maior reserva hídrica existente em nosso país. Aprendemos na escola sobre o ciclo hidrológico, mas continuamos poluindo rios, mares, córregos e lagos das nossas cidades (muitas vezes, testemunhamos pequenos e deploráveis gestos, como fazer da boca-de-lobo um alvo para jogar uma latinha ou uma garrafa plástica). A chuva, uma das formas de ocorrência de água na natureza, faz parte do processo de trocas do ciclo hidrológico, sendo fundamental para a recarga dos rios, dos aquíferos, para o desenvolvimento das espécies vegetais e também para carregar as partículas de poeira e poluição existentes na atmosfera. A qualidade das águas pluviais pode variar em relação ao grau de poluição do ambiente. As exigências para a qualidade e a segurança sanitária das águas pluviais estão diretamente relacionadas com o fim a que se destinam.

Às vezes, pecamos em deixar alguns valores se perderem com o tempo. O aproveitamento da água de chuva, por exemplo, caracteriza-se por ser um processo milenar, adotado por civilizações como Astecas, Maias e Incas. Um dos registros mais antigos do aproveitamento da água de chuva data de 850 a.C., referindo-se as inscrições na Pedra Moabita, no Oriente Médio, onde o rei Mesha sugere a construção de reservatórios de água de chuva em cada residência. Há registros que apontam que há aproximadamente 2000 a.C., a água da chuva era aproveitada na descarga das bacias sanitárias. Aproveitar a água da chuva refere-se a um sistema relativamente simples e de baixo custo: captação, filtragem, armazenamento e distribuição da água que corre nas calhas dos telhados.
As pesquisas divulgadas pelo governo e por pesquisadores sobre água, na maioria das vezes, tratam do abastecimento no país, mas não enfatizam outros fatores ligados ao seu uso, como o saneamento, o tratamento do esgoto e o controle da vazão das águas das chuvas. Mais da metade da população brasileira não tem tratamento de esgoto e a água de chuva se perde pelo caminho ou se torna a vilã das enchentes.
Na esperança de ver o Brasil promover a “inclusão sanitária”, dois fatos chamam a atenção neste início de ano. A presidente Dilma Rousseff anunciou, durante um encontro com os mais de 5 mil prefeitos eleitos em todo o país, novos recursos para a área de saneamento, somando R$ 12 bilhões, sendo R$ 2 bilhões reservados para pequenos municípios. Mas, para fazer valer tais verbas, as prefeituras precisarão contar com técnicos capacitados para elaborar projetos que funcionem. Vamos aguardar o que vai acontecer nos próximos quatro anos. Outro fato é que 2013 também foi escolhido pela ONU como o Ano Internacional da Cooperação pela Água, e prevê uma reunião preparatória para o 7.º Fórum Mundial da Água, a ser realizado em 2015 na Coreia do Sul, com chefes de Estado e representantes de países de todo o mundo discutindo as políticas globais para o uso e consumo da água.

Todos nós sabemos da importância da água para as nossas vidas. Mas, o que temos feito de real, de prático, de objetivo? Qual a nossa atitude ao ver uma pessoa lavando a calçada com a mangueira? Os nossos carros, na maioria das vezes, são lavados com a mesma água que é utilizada para cozinhar, se banhar, fazer um café ou chá. A qualidade das águas dos nossos rios (pelo menos em São Paulo, os Rios Tietê e Pinheiros mais parecem um esgoto a céu aberto) está cada vez pior. O esgoto das casas e até de algumas empresas corre para dentro dos rios e em seguida é lançado nos mares.
Todos os anos, quando nos preparamos para comemorar o Dia Mundial da Água, queremos, na verdade, despertar nas pessoas um momento de reflexão, análise, conscientização e mudança de atitudes práticas para minimizar os impactos sobre esse bem precioso e do qual dependemos para viver. Todos nós queremos água limpa e em quantidade e qualidade adequadas, sem nunca faltar nas nossas torneiras. Nossa relação com a água, no entanto, não deve ser pautar apenas por uma data comemorativa. Nossas atitudes devem mudar. Aliás, você sabe quem é o responsável pela água na sua cidade? A situação exige posturas mais críticas dos cidadãos, como cobrar com mais ênfase as autoridades, os responsáveis pela água. Sem deixar de observar as nossas próprias torneiras.

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